Dos sete países que tiveram um incremento do nível de confiança na mídia maior do que no governo no último ano, somente o Brasil e a Tailândia viram a diferença entre esses dois índices aumentar em favor da mídia no período de janeiro do ano passado a janeiro deste ano. Isso é o que demonstra o estudo global da agência Edelman que ouviu mais de 33 mil pessoas em 28 países.

No período, enquanto a confiança na mídia brasileira aumentou 4 pontos (o dobro da média global de 2 pontos), a confiança no governo brasileiro aumentou 2 pontos (abaixo da média global de 3). Isso fez com que a confiança na mídia brasileira, que era 7 pontos maior do que a no governo em 2020, passasse para 9 pontos em janeiro deste ano.

Na Tailândia, onde a mídia tinha 4 pontos a mais do que a confiança no governo no ano passado, a diferença aumentou para 10 pontos.

Na Indonésia, ocorreu uma virada: o índice de confiança na mídia, que era seis pontos menor do que no governo em janeiro do ano passado, passou a ter dois pontos a mais este ano.

Em outros quatro países que tiveram aumento da confiança na mídia maior do que no governo, o incremento não foi suficiente para virar o jogo: Arábia Saudita (diferença em favor do governo caiu de 32 para 22), Cingapura (15 para 14), Malásia (5 para 3) e Japão (6 para 1).

No Brasil, sexto maior crescimento em confiança na mídia 

O crescimento da confiança dos brasileiros na mídia foi o sexto maior entre os 28 países analisados e seu índice de 48 pontos em 2021 ficou apenas três abaixo da média global de 51.

Com os crescimentos verificados, a confiança dos brasileiros na mídia ocupa o 16º lugar no ranking de 2021. Já a confiança no governo está entre as 9 piores dos 28 países analisados.

 

Crescimento da confiança no governo brasileiro foi o 16º entre 28 países

Por outro lado, o crescimento da confiança dos brasileiros no governo foi o décimo-sétimo maior entre os 28 países analisados e seu índice de 39 pontos em 2021 ficou 14 pontos abaixo da média global de 53.

Quatro governos aproveitaram a pandemia para reverter o quadro a seu favor. Esse foi o caso do Canadá, Alemanha, Itália e França.

No ranking deste ano, o governo do Canadá, cuja confiança era 3 pontos menor do que a da mídia, abriu 5 pontos de vantagem. O governo da Itália, que tinha 8 pontos a menos, abriu um ponto.

O governo da Alemanha tirou quatro pontos de desvantagem e abriu sete. Mas o caso mais impressionante foi o da França, cujo governo tinha índice de confiança dois pontos menor do que o a da mídia e passou a ter incríveis 13 pontos de vantagem.

Embora sem conseguir virar o jogo, sete governos conseguiram diminuir a desvantagem que tinham em relação à confiança da população na mídia. Esse foi o caso dos Estados Unidos. Apesar da atuação desastrada do ex-Presidente Trump, a vantagem da confiança na mídia em relação ao governo caiu de 9 para 3 pontos, uma redução de seis pontos que também ocorreu no México. Reduções menos significativas não tiraram a liderança da mídia no Quênia, África do Sul, Argentina e Espanha. Nesse quesito, o maior avanço foi do governo da Colômbia, que conseguiu tirar nove pontos da desvantagem em relação à confiança na mídia, que viu sua vantagem diminuir para 6 pontos.

Oito governos conseguiram aumentar a diferença entre seus índices de confiança e o da mídia local. Os maiores aumentos foram de sete pontos, verificados no Reino Unido e na Holanda (ambos de 1 para 8). A Austrália aumentou a diferença em 5 pontos (5 para 10). Incrementos menos significativos ocorreram na Irlanda, Índia,  Coreia do Sul, China e Emirados Árabes Unidos.

A Rússia foi o único país onde a diferença, em favor do governo, permaneceu estável. Enquanto a confiança no governo local teve o quinto pior índice (34), a mídia russa permaneceu com o menor índice de confiança (29) dos 28 países analisados.

A Nigéria, que entrou na pesquisa pela primeira vez, não teve dados comparativos. Na leitura deste ano, a mídia local apresentou um índice de confiança (44) maior do que a do governo (24), que teve o menor índice dentre os 28 avaliados.

O trabalho de pesquisa ocorreu entre os meses de outubro e novembro, e não captou por completo os efeitos da segunda onda da pandemia, o que pode ter afetado os índices dos governos de acordo com as medidas por eles adotadas a partir de então.

 


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