A Itália tornou-se o nono país em que o Google fechou contrato com empresas jornalísticas locais para pagar pelo conteúdo exibido em sua plataforma, por meio do Google News Showcase. No Brasil, um dos primeiros países onde o projeto foi lançado, em 2020,  a área de notícias chama-se Destaques.

Os acordos foram fechados com 13 grupos de mídia italianos, que juntos reúnem 76 dos principais veículos do país. Entre eles estão Corriere della Sera, La Repubblica (os dois principais diários do país), La Gazzeta dello Sport (principal esportivo), Il Messaggero, Il Giorno, oIl Sole 24 Ore e o La Nazione. 

Nenhum detalhe financeiro do acordo foi divulgado. Urbano Cairo, Diretor Executivo da RCS, uma das organizações entrou para o Google News Showcase na Itália, disse em comunicado:

“Estamos satisfeitos por ter chegado a este acordo que, ao regulamentar também a questão dos direitos relacionados, reconhece a importância da informação de qualidade e da autoridade de nossas publicações”.

Iniciativa é resposta à pressão dos veículos

Os editores de notícias, com os grupos jornalísticos europeus à frente, há muito pressionavam o Google por uma compensação pelo uso de seu conteúdo jornalístico no mecanismo de busca mais popular do mundo.

Em resposta, a gigante lançou em outubro de 2020 o agregador de notícias Google News Showcase. O compromisso é investir US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) até 2023 na compra de conteúdos dos principais veículos jornalísticos. O Brasil e a Alemanha foram os pioneiros.

Em seguida aderiram veículos da Argentina, Austrália, Canadá, França, Japão, Reino Unido e agora a Itália. Nesses países, já foram criados dezenas de milhares de painéis, vistos por milhões de usuários do Google Notícias e do Discover, tanto em Android quanto iOS. A empresa informa que pretende anunciar em breve a adesão de novos países.

Na Austrália, a negociação mais turbulenta

Até agora a negociação mais turbulenta foi a da Austrália, onde o Google firmou as parcerias pressionado pela nova lei que obriga ao pagamento por conteúdo.Durante o processo, a empresa ameaçou deixar de oferecer seu mecanismo de busca aos usuários australianos, mas a situação foi contornada com a assinatura dos acordos, inclusive com a News Corp, do magnata Rupert Murdoch.

Já o Facebook chegou a retirar os links de notícias de sua plataforma, o que gerou uma revolta em vários países. No final, a empresa acabou conseguindo flexibilizar a lei a seu favor.

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Mais de 500 publicações já aderiram no mundo

Já fazem parte do Google News Showcase mais de 500 publicações. No Brasil, há acordos com veículos de 17 Estados, mais o Distrito Federal, incluindo grandes nomes como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, UOL, G1 e Abril e líderes regionais como Correio Braziliense, Estado de Minas, Gaúcha ZH, Folha de Pernambuco, Diário do Pará, A Gazeta (ES) e O Povo (CE). 

Os veículos apresentam as notícias utilizando sua marca e seu estilo gráfico. O pagamento do Google é feito em troca da curadoria das notícias, do acesso a textos acessíveis apenas a assinantes (paywall) e da seleção de conteúdo para os painéis de reportagens.

Os pagamentos mensais são negociados individualmente e feitos ao longo de três anos. O Google News Showcase não segue o modelo de pagamento por clique: a geração de tráfego adicional ou de novos assinantes se soma ao pagamento feito pelo Google.

Os painéis de notícias podem ser acessados gratuitamente pelos usuários, baixando o app Google Notícias. Os leitores são notificados das cinco notícias principais do momento, podem acessar as principais manchetes por editorias e se aprofundar nos assuntos, atualizados várias vezes ao dia.

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