Agências de checagem de fatos e veículos de comunicação peruanos estão lançando mão de vários recursos para estancar a desinformação que costuma explodir em períodos pré-eleitorais, situação agravada este ano pelas incertezas em torno da Covid-19.

As eleições no Peru acontecem no domingo, 11 de abril. Nesse dia serão escolhidos um novo presidente e dois vices, 130 membros do congresso e cinco representantes do Parlamento Andino. Os resultados são imprevisíveis. Pesquisas divulgadas nesse domingo (4/3), como a do El Comercio e Instituto Ipsos, mostram que nenhum dos candidatos a presidente tem a maioria das intenções de voto. 

Uma das armas para evitar a influência das notícias falsas sobre a opinião dos eleitores em um cenário polarizado e turbulento está sendo utilizar idiomas nativos para alcançar populações que não se informam em espanhol. Essa foi a ideia da uma rede formada em janeiro no país, como relatou a jornalista peruanaPaola Nalvarte, em matéria publicada pelaLatAm Journalism Review (LJR) do Knight Center para o Jornalismo nas Américas. 

A Ama Llula (que significa não minta em quíchua) opera em uma conta no Facebook. David Hidalgo, diretor do Ojo Público, site de notícias que lidera a redação virtual da iniciativa, disse à LatAm Journalism Review (LJR) que as verificações estão sendo traduzidas para quíchua e ashaninka, os dois principais idiomas indígenas do país. E transmitidas em meio digital e em formato de áudio, o que facilita o compartilhamento por estações de rádio em áreas remotas.

Muitas das fake news antes das eleições no Peru dizem respeito a mitos envolvendo a Covid-19, que virou um dos temas principais da campanha eleitoral.

O país é um dos mais atingidos do mundo pela pandemia, e vem liderando de forma consistente o ranking de jornalistas mortos pela doença produzido pela organizaçãoPress Emblem Campaign. O Brasil chegou a ficar por alguns dias no topo da lista. 

Outra iniciativa para combater as fake news antes das eleições no Peru veio do Conselho de Imprensa local, que lançou em fevereiro  o PerúCheck,um projeto colaborativo liderado pelas empresas jornalísticas Diario El Comercio, Grupo La República e Grupo RPP. Fazem parte do grupo veículos de nove regiões do país.

A mesa dos editores, composta por profissionais dos três jornais, escolhe as declarações ou publicações dos candidatos a serem verificadas com base nos critérios de contexto eleitoral, viralidade, periculosidade e relevância. As checagens são publicadas no site do projeto e podem ser utilizadas por toda a mídia do país antes das eleições no Peru, ajudando a esclarecer o público. 

A exemplo do que ocorre com as verificações da Alma Llulla, as fake news associadas à Covid-19 destacam-se entre as notícias falsas esclarecidas pelo PerúCheck.

Ama Llula vira alvo da extrema-direita