Estão abertas até 15 de abril as inscrições para um programa de bolsas para jornalistas oferecidas pelo Rainforest Journalism Fund, uma inicativa do Pulitzer Center.

O programa é coordenado pela jornalista Veronica Goyzueta e tem o apoio institucional da Agência Efe. Foi aberto em resposta aos efeitos da pandemia sobre as populações indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia, agravados pela chegada de mutações da Covid-19.

Elegibilidade

As bolsas estão abertas a jornalistas, escritores, fotógrafos, cinegrafistas e produtores de rádio ou TV (contratados ou freelances) de qualquer nacionalidade, residentes nos países amazônicos. Equipes de profissionais também podem se inscrever e indicar o líder do coletivo. 

As inscrições podem ser enviadas em espanhol, português ou inglês. As reportagens podem ser feitas em qualquer idioma. O comitê editorial selecionará um número limitado de projetos que atendam aos critérios do edital, com equilíbrio entre projetos em língua portuguesa e espanhola.

Projetos colaborativos 

Projetos colaborativos envolvendo  jornalistas locais e de comunidades da floresta terão prioridade. O edital salienta que, devido à impossibilidade sanitária de chegar a terras indígenas e alcançar outras populações tradicionais vulneráveis, torna-se ainda mais importante fortalecer o jornalismo local, assim como o praticado por jornalistas indígenas, quilombolas, ribeirinhos, que é uma das metas do programa. 

Formato 

Os projetos podem incluir o uso de dados, multimídia ou outros enfoques inovadores. 

Restrições de acesso

Em função da grave situação da pandemia na Amazônia, do surgimento de variantes da Covid-19 e do forte risco à saúde das populações locais, o comitê não aceitará propostas que envolvam a entrada de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas em terras indígenas e territórios de populações tradicionais, assim como em áreas em que vivem populações vulneráveis, mesmo se a convite de governos ou de membros das comunidades.

Essa restrição será mantida até existir segurança sanitária para a presença física de profissionais da imprensa. Casos especiais, respaldados por documentação, que garantam a segurança das populações e dos profissionais envolvidos serão analisados pelo comitê.

Valor da bolsa

O valor máximo de referência é de US$ 5 mil  para as bolsas, considerando que os projetos não terão despesas de viagem. Valores superiores podem ser considerados em caráter excepcional. 

Podem ser incluídos no orçamento: 

  • Honorários de jornalistas locais
  • Custos de edição/coordenação de equipes de freelances
  • Contas de telefone
  • Acesso à internet, inclusive em áreas não urbanas, desde que seja justificável para a apuração
  • Em alguns casos, custos de aluguel de equipamentos para jornalistas de povos indígenas e/ou populações tradicionais
  • Custos de produção multimídia, vídeo, áudio, dados
  • Custos de coleta e análise de dados 

Metade do valor da bolsa é pago antes do início da reportagem e o restante após o envio do material para veiculação. 

Como apresentar as propostas 

A apresentação deve incluir: 

  • Descrição do projeto: qual a pauta, explicação de sua relevância e a metodologia de execução (coordenação, reportagem e edição)
  • Plano de segurança (se aplicável), descrevendo mitigação de risco (saúde, segurança física) para o jornalista e comunidades envolvidas no projeto
  • Estratégia de veiculação, explicando o plano de publicação e parcerias de mídia
  • Estimativa de orçamento preliminar, com descrição básica dos custos
  • Dados do jornalista que lidera o projeto (informações de contato, currículo, três exemplos de trabalho e três referências profissionais)
  • Dados da equipe: descrição das funções, qualificações profissionais e currículos
  • Cartas de compromisso de mídia ou editores parceiros interessados. Pelo menos uma delas deve ser de um meio de comunicação nacional ou regional 

 Os candidatos selecionados serão notificados em 30 dias.

Dúvidas podem ser esclarecidas com Veronica Goyzueta pelo email amazon.rjf@pulitzercenter.org.

As inscrições podem ser feitaspor este link.

 A situação da Amazônia 

O edital destaca que o desmonte das instituições fiscalizadoras que atuam na proteção ao meio ambiente e às populações, somado à tragédia da pandemia, está tendo grande impacto na destruição da floresta e na morte de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses agroecológicos e moradores das cidades. E que a negligência de parte dos governos da região também abriu espaço para o aumento das atividades ilegais, que avançaram em áreas que deveriam ser protegidas.

Observa ainda que, devido aos riscos de contaminação por Covid-19, o trabalho em campo das organizações socioambientais e de direitos humanos foi reduzido, o que abriu espaço para o avanço da grilagem de terras, do desmatamento e do garimpo ilegal, assim como para a violência contra povos da floresta e camponeses agroecológicos. Várias lideranças, que conduziam seus povos na luta pela conservação da floresta, morreram de Covid-19, o que também minou a capacidade de resistência de aldeias indígenas e comunidades quilombolas e ribeirinhas, assim como de assentamentos agroecológicos.